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Correio da Manhã

Opinião
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A fadiga de Centeno

Economia derrapa, voltarão os défices gigantescos e a dívida pública vai disparar.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 15 de Maio de 2020 às 00:32
Mário Centeno não é responsável por qualquer ilegalidade na transferência dos 850 milhões de euros para o Novo Banco.

Limitou-se a cumprir um contrato, mas cometeu um erro de avaliação ao não informar o primeiro-ministro, que no dia seguinte à entrega do cheque garantiu a Catarina Martins algo que não podia cumprir. Este episódio pode ter sido a gota de água na fadiga da estrela da geringonça.

Centeno é o rosto da recuperação financeira do País. Com um discurso diferente seguiu as mesmas linhas que guiavam os seus antecessores no executivo de Passos. Aproveitou a brutal carga fiscal e os ventos favoráveis da economia. Destacou-se nas cativações. Tem os melhores registos de saldos orçamentais da democracia e o único excedente. A pandemia interrompeu este ciclo feliz .

O ministro ambiciona a liderança do Banco de Portugal. Não é fácil em tempo de crise encontrar um substituto para o antigo CR7 das Finanças. Provavelmente, Costa vai ter de recorrer à prata da casa.

O sucessor natural seria Félix Mourinho, primo do famoso treinador, o secretário de Estado que tutela o processo do Novo Banco. Mas apesar de os portugueses costumarem atribuir a alguns ministros das Finanças poderes mágicos, ninguém consegue milagres.

A economia derrapa, voltarão os défices gigantescos e a dívida pública vai disparar.
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