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Correio da Manhã

Opinião
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A farsa de Aveiro

A comemoração do segundo aniversário do Governo de António Costa ficou marcada por uma encenação.
Editorial CM 27 de Novembro de 2017 às 00:32
A comemoração do segundo aniversário do Governo de António Costa ficou marcada por uma encenação que se destinava a mostrar um Executivo próximo das pessoas, mas que demonstra uma tendência perigosa da política atual: os governantes estão cada vez mais distantes do povo, os cidadãos encontram-se com os ministros, mas num ambiente acético, uma espécie de reality show, com argumento condicionado.

A democracia vive do confronto, dos debates de ideias, das críticas, do verdadeiro escrutínio do poder.

Não foi o que se passou ontem em Aveiro. Costa e os seus ministros protagonizaram uma versão moderna das ‘Conversas em Família’ do último chefe de governo do Estado Novo. Mas enquanto Marcelo Caetano falava sozinho, nesta versão houve um casting de figurantes, que receberam compensação económica, como se fosse um vulgar programa de variedades televisivas.

O que assistimos foi uma iniciativa de propaganda, patrocinada com o dinheiro dos contribuintes. Este acontecimento também revela uma preocupação exagerada com a imagem, que lembra a obsessão de José Sócrates.

A Universidade de Aveiro foi usada como avalista desta iniciativa. Por muito sedutoras que sejam as boas graças do poder, a colagem da academia nesta campanha também não abona em favor da instituição.

Aveiro, uma das cidades com mais tradições democráticas do País, sede do célebre congresso da Oposição Democrática, em 1973, precisamente no tempo em que Marcelo Caetano usava o único canal de televisão, a RTP, para as suas conversas em família, não merecia ser palco desta farsa.
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