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Correio da Manhã

Opinião
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A fatura imparável do BES

O fim do BES criou um efeito de furacão que está longe de acabar.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 29 de Outubro de 2016 às 00:31
O Grupo Espírito Santo e o BES caíram em 2014 mas a fatura não pára de crescer. Como se previa, para lá da catástrofe para o sistema bancário, a queda do BES arrastava consequências imprevisíveis para a economia nacional. Tudo o que a influência, o poder e o crédito do BES tocassem estava comprometido. Como se viu, a seguir foi a PT que deixou de existir enquanto empresa estratégica para o País.

Ficou demonstrado à saciedade o poder do BES e respetivo servilismo dos gestores da PT. O BES usava a PT como uma espécie de saco de crédito privado com total conivência dos responsáveis da empresa.

Como se tudo o que sabemos não bastasse, emerge um rasto de quase 30 mil credores, sobretudo pequenas e médias empresas do Norte. Como se suspeitava, a queda do BES atingiu o coração da economia real, exibindo todas as fragilidades de um tecido produtivo muito dependente do crédito bancário.

O fim do BES e do GES criou um furacão de efeito prolongado que está muito longe de acabar. Esperemos que os seus efeitos finais não sejam o da incapacidade do sistema judicial de punir por todos os crimes cometidos. Esperemos que o sistema judicial e a supervisão bancária entendam o que está em jogo neste processo: para lá do País, é a sua própria credibilidade.
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