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Correio da Manhã

Opinião
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A vida e a morte numa lista

Autoridades pensam assim: não há processos, não há crime.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 7 de Maio de 2016 às 01:45
Bolacha Editorial CM
Bolacha Editorial CM FOTO: Nuno Costa
O transplante de órgãos tem regras apertadas e depende muito da generosidade dos dadores e famílias. As famílias vivem entre o desconhecimento dessas regras - só as conhecem em cima da morte de um familiar - e o desespero de encontrar dador para salvar um ente querido doente. Elas são o espelho dramático de uma questão que metaforicamente se resume a uma lista de vida e morte.

Entre 15 e 20 por cento dos doentes morrem em lista de espera por um órgão. A lista que transporta a esperança de viver ou viver melhor encerra também o desespero de começar a ver a morte a chegar.

Este é um dilema que empurra milhares de pessoas para a procura de uma luz nesse mundo escuro do tráfico de órgãos, onde um rim pode custar 200 mil euros. Portugal não escapa a essa lei macabra. No plano da verdade formal, sempre se poderá dizer que o Ministério Público e a Polícia Judiciária não têm processos de tráfico de órgãos.

As autoridades portuguesas, nos mais diversos domínios, gostam de pensar assim: não há processos, não há crime. Mas alguém duvida de que estamos no reino das cifras negras?

A realidade é muito mais complexa do que a estatística, e aqui, como noutros domínios, agrava sempre o fosso entre ricos e pobres. Estes são sempre os que estão na estatística fatal da lista de espera.
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