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Correio da Manhã

Opinião

Cabeça na areia

A estatística, sendo ciência certa, depende muito dos critérios que se adotam e que a podem transformar numa perversa arte da manipulação.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 8 de Fevereiro de 2021 às 00:31
Alguns adeptos da propaganda governamental têm utilizado as redes sociais e alguns meios de comunicação para difundir a ideia de que, em face de critérios estatísticos, o plano de vacinação português será um dos que estão a correr melhor. A estatística, sendo ciência certa, depende muito dos critérios que se adotam e que a podem transformar numa perversa arte da manipulação. A questão, porém, nem é essa. A projeção propagandística e mediática desse paraíso português em matéria de vacinação, que obviamente todos desejaríamos que fosse verdadeiro, não é mais do que uma inqualificável artimanha para fazer barreira às críticas sobre o que corre mal. A impreparação inicial dos idos de março e abril manteve-se, inacreditavelmente, no plano de vacinação. O seu líder foi mal escolhido, os critérios não foram definidos, a logística foi um desastre. No próprio dia em que o Governo anunciava o início da vacinação nos centros de saúde, esqueceu-se de dizer que apenas dois centros em todo o País o estavam a fazer. Uma coisa é respeitar a magnitude do problema que o Governo e o País enfrentam. Outra bem diferente é meter a cabeça na areia. Isso é uma ofensa aos portugueses e, em particular, à memória dos muitos que já morreram nesta pandemia.
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