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Correio da Manhã

Opinião
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Melhor Europa

Ninguém dá lições de democracia aos britânicos.
Editorial CM 25 de Junho de 2016 às 00:30
Bolacha Editorial CM
Bolacha Editorial CM FOTO: Nuno Costa
Ninguém dá lições de democracia aos britânicos. E por uma pequena margem, o resultado do referendo decidiu a separação do Reino Unido dos seus parceiros continentais.

Os mercados financeiros reagiram em choque. Os países do Sul, como Portugal, Espanha e Itália, foram fortemente penalizados. A libra também sofreu , o que é uma má notícia para os negócios do turismo do Algarve, destino que depende fortemente dos turistas britânicos. A reação de pânico é perfeitamente natural. Há quem tema um terramoto semelhante ao da falência da Lehman Brothers , em 2008, mas também há quem acredite que o cenário não será tão catastrófico e rapidamente os senhores da City londrina arranjarão maneira de minimizar os prejuízos do Brexit.

Há várias razões que se juntaram num ‘cocktail’ explosivo para este resultado. Da crise económica à fraca liderança dos políticos, passando pela excessiva regulamentação europeia e a pomposa burocracia de Bruxelas. Mas a questão decisiva foi a imigração.

Sem a Grã-Bretanha, que sempre teve um pé fora e outro dentro da União, os líderes europeus têm de ter sabedoria para gerir esta crise. Como todos os momentos de rutura, também é a oportunidade para corrigir erros e melhorar a construção desta comunidade que garante uma paz inédita no velho continente. A França e a Alemanha têm o papel fundamental no desenho desta UE. O antídoto contra o vírus do Brexit não tem de ser necessariamente mais Europa, mas acima de tudo tem de ser melhor Europa.
Nota editorial editorial cm
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