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Correio da Manhã

Opinião
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O velho vício das prendas

A missão dos professores tem uma exigência ética insuperável.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 27 de Agosto de 2016 às 01:46
A distribuição de prendas e regalias em massa no setor da saúde criou um pântano. Para meter alguma ordem, o Infarmed estipulou um tecto máximo de 25 euros para as prendas e tudo o que for acima disso tem de ser declarado. Resolve o velho problema das relações promíscuas entre profissionais da saúde e os grandes laboratórios farmacêuticos? Provavelmente não, mas alargou muito a possibilidade de escrutínio público e a própria margem de transparência nas relações comerciais dentro do setor.

Seria um grande retrocesso se essas velhas práticas se instalassem na educação entre as editoras que dominam o negócio dos manuais escolares e os professores. A natureza da missão profissional dos professores tem uma exigência ética insuperável.

Como pode um professor transmitir os valores certos aos seus alunos se se deixar seduzir pelo ciclo infernal da cunha e do favor? Uma coisa será as editoras fazerem doações de material útil para as escolas.

Outra, radicalmente diferente, será dar prendas a professores com poder de decisão ou de influência sobre a indicação de manuais. Isso, para lá da questão ética, pode entrar no domínio penal e criar situações muito pouco abonatórias para a credibilidade e prestígio social de uma classe profissional da máxima importância para o País.
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