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Correio da Manhã

Opinião
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Os outros vírus

Convívio forçado entre vítima e agressor(a) não será harmonioso.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 5 de Abril de 2020 às 00:31
Os dados revelados pelo CM Radar da Violência Doméstica dão conta de que os números deste crime se mantiveram idênticos no confinamento social forçado que vivemos face ao período homólogo de 2019. Esta é a aparente boa notícia, mas a realidade pode ser outra.

Só ontem, noticiou o CM, as polícias prenderam cinco suspeitos de violência doméstica. Confinados a casa durante mais tempo do que o habitual, é improvável que esse inorgânico convívio entre vítima e agressor(a) se transforme em harmonia. Os estudos sobre a matéria provam o contrário.

Em tempos normais, sabe-se que as agressões aumentam exponencialmente, por exemplo, durante as férias. A situação será idêntica nos casos de menores em situações de risco.

O atual estado levou a uma inevitável redução das visitas surpresa dos técnicos sociais a crianças sinalizadas que vivem sob vigilância familiar ou em famílias de acolhimento. Em ambos os casos, o convívio forçado dificultará, por certo, que as vítimas denunciem os agressores (as). Um Estado que equaciona a libertação antecipada de presos deve saber cuidar ainda mais das vítimas de criminosos(as) à solta.
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