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Correio da Manhã

Opinião
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Os testes do Presidente

A forma como o Presidente da República e candidato à reeleição tem feito os seus testes à Covid-19 é uma verdadeira caricatura.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 13 de Janeiro de 2021 às 00:33
A forma como o Presidente da República e candidato à reeleição, Marcelo Rebelo de Sousa, tem feito os seus testes à Covid-19 é uma verdadeira caricatura do que se tem passado na sua relação com a pandemia. Faz fé reiterada no Serviço Nacional de Saúde em discursos públicos, mas vai à Fundação Champalimaud fazer testes de deteção da doença. Vai aos serviços públicos de saúde quando precisa de contrastar o positivo que recebeu na Fundação. Ou seja, um qualquer conforto pessoal –que carece de uma explicação plausível – leva-o à Fundação Champalimaud. Já a necessidade de obter uma segunda opinião que o retire do confinamento em que se meteu, leva-o aos serviços públicos. Tal ziguezague de conveniência não é aceitável num momento em que tantos portugueses sofrem com os condicionalismos e desfechos impostos por um vírus letal. Como também não é aceitável qualquer tipo de discurso paternalista que empurre para os portugueses o ónus exclusivo do agravamento da situação pandémica. Na verdade, quem não resistiu a fazer uma oferta natalícia de quatro dias de congelamento do distanciamento social foram os dirigentes políticos e não a pressão das famílias. E são as suas políticas e decisões que devem ser escrutinadas. Não a celebração natalícia ou de Ano Novo de cada português.
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