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Correio da Manhã

Opinião
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Risco reputacional

Cedências à esquerda significam mais despesa pública.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 17 de Outubro de 2021 às 00:33
Talvez por causa do choque eleitoral dos partidos de esquerda nas eleições Autárquicas, a discussão política necessária à aprovação do Orçamento do Estado está mais complicada. O PCP voltou a perder terreno no poder local e está a esticar a corda, o que significa que o Governo precisa de namorar com o Bloco de Esquerda, que nos anos anteriores se mostrou menos fiável nas negociações.

A verdade é que este novo orçamento de João Leão não é muito diferente dos anteriores, aprovados à esquerda. Tem a vertente simpática de não aumentar a carga do IRS para as famílias, mas tem escondidos aumentos de impostos indiretos e as taxas e taxinhas que engordam o Estado.

O que os parceiros da esquerda querem é ainda mais despesa e, no caso do PCP, mudanças nas leis do trabalho.

Mas um País que tem uma dívida pública que este ano se aproxima dos 127% do PIB, mesmo que num cenário de crescimento da riqueza produzida baixe para 122,8% em 2022, não é totalmente soberano. E qualquer chumbo reputacional dos mercados externos a este OE ficará muito caro, porque arrisca acabar com o maná dos juros baixos.
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