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Correio da Manhã

Opinião
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Sentimentos dum ocidental

É preciso abafar o terror no local de onde emanam as ordens.
Editorial CM 15 de Novembro de 2015 às 00:30
Bolacha Editorial CM
Bolacha Editorial CM FOTO: Nuno Costa
Afastemo-nos das carpideiras do costume: ou os líderes políticos encontram soluções para o problema do terrorismo religioso, comandado à distância, ou devem ceder o lugar a outros.

Para problemas excecionais, respostas excecionais. É preciso abafar o terror no local de onde emanam as ordens. É necessário garantir que uma ofensiva séria, poderosa, coordenada, nos terrenos do califado, não abra as portas da Europa ao enxame de radicais que ali acorreu, desde os bairros suburbanos das metrópoles infiéis a qualquer deus para lá da abundância.

As sociedades ocidentais têm muito para meditar na forma como não logram integrar os que chegam, mas este é um momento de ação. Hollande tem um ótimo rosto para colocar no pós-tragédia, seja em queda de aviões ou atentados, porém, a pergunta que hoje se coloca é apenas uma: do que precisa a França para pôr termo a um tipo de terror que ameaça o coração do sistema democrático? Os atentados radicais têm um alvo difuso, visam a multidão de infiéis.

Qualquer vítima a mais é um ponto positivo para os fanáticos. O objetivo é o separar das águas. Não podemos ceder à tentação da intolerância para com os islâmicos moderados, mas que apoio vem desse campo para combater efetivamente o flagelo? O facto de os atentados não visarem líderes políticos, mas pobres cidadãos anónimos, estará a retardar as decisões necessárias a nível internacional?

A última vez que a História registou um fanatismo coletivo capaz de criar exércitos de suicidas foi a meio do século passado, no Japão. Tal fundamentou a decisão atómica. Aqui, trata-se da coragem de assumir baixas para ocupar território. A ditadura de al-Assad é hoje o menor dos problemas que a Síria coloca ao modo de vida ocidental.
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