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Correio da Manhã

Opinião
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Trumpismo ainda não morreu

Esta manhã Donald Trump pode até ser dado como derrotado, mas o trumpismo não morrerá já.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 6 de Novembro de 2020 às 00:33
O prolongamento exasperado da contagem de votos em quatro estados - Pensilvânia, Geórgia, Arizona e Nevada – mantinha, até ontem ao fim da noite, um suspense nervoso sobre o desfecho das presidenciais dos EUA. Com o candidato democrata a recuperar terreno face ao rival republicano à medida que o tecido urbano é apurado, Trump avançou para os tribunais contestando o que diz ser "um voto fraudulento". Nada de novo.

Cultura democrática não é um apanágio do atual Presidente, só que agora os tribunais não parecem disponíveis para embarcar na estratégia republicana que passa por atiçar na justiça e nas ruas o fantasma da fraude inexistente. O que existiu nesta eleição foi o reforço da dicotomia cidade-campo com a primeira, cosmopolita e tolerante, a apoiar Biden e o segundo, conservador e racista, a segurar Trump.

O controlo da pandemia, as políticas económicas, o sistema de saúde ou o clima foram outros dos temas polarizadores do discurso político e que, aparentemente, vão favorecer Biden.

Mesmo vencido, Trump ganhou a infame tarefa de dividir a América que tolera a diferença e a que demonstra simpatia por correntes sinistras como a QAnon, um grupelho conspirador e antidemocrático que já chegou ao Senado.

É por isso que esta manhã Donald Trump pode até ser dado como derrotado, mas o trumpismo não morrerá já.
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