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Correio da Manhã

Opinião

Um perigo real

Ouçamos o Papa Francisco, não podemos esquecer esta gente.
Paulo João Santos 28 de Junho de 2022 às 00:32
Continuam os bombardeamentos que causam morte, destruição e sofrimento à população. Por favor, não esqueçamos estas pessoas atingidas pela guerra". Não é a primeira vez que o Papa Francisco alerta para o perigo do esquecimento. Um perigo real. Não fosse o ataque brutal de ontem a um centro comercial de Kremenchuk, onde estariam centenas de civis, e o 124º dia de guerra na Ucrânia seria apenas mais um, com o exército russo a reivindicar a conquista de mais uma vila ou aldeia e as forças ucranianas a garantirem que o contragolpe está para breve.

A partir de determinada altura, o número de mortos, de feridos, de deslocados, de refugiados, de mísseis disparados e localidades destruídas deixam de ter impacto. Começa a olhar-se mais para os efeitos do conflito - a inflação, o custo de vida, as férias de sonho que ficam por fazer - do que para o drama de quem vive há quatro meses sob intensos bombardeamentos.

Não é a primeira vez que o Papa Francisco fica a pregar no deserto. Mas, neste caso, ou seguimos o seu apelo, ou quando dermos conta já a guerra nos entrou pela porta dentro.
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