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Correio da Manhã

Opinião
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Vendedores de sonhos

Clubes portugueses são também um retrato fiel do nosso país.
Paulo Oliveira Lima 18 de Outubro de 2021 às 00:32
Os clubes portugueses competem numa dimensão europeia alternativa sem os meios dos principais emblemas. Não é novidade que estão falidos. Assistimos a operações contabilísticas que tentam mascarar a debilidade para ter a anuência da UEFA e consequente assinatura de um auditor.

Com a mesma serenidade com que prometem crescimento, antecipam receitas para fazer face a despesas correntes. E tornaram-se empresas remediadas sem que isso beliscasse a ambição.

Ouvimos promessas de vitórias e títulos alavancadas na indiferença do adepto comum que não quer saber de finanças. Porque a maioria quer ganhar e, em rigor, nenhum Relatório e Contas é assinado por Jesus, Amorim ou Conceição. Sabendo disso, os grandes gastam o que não têm com a perspetiva de competir numa primeira linha europeia, contra clubes detidos por bilionários, sem as mesmas condições.

E as verbas que daí resultam são, ironicamente, uma das melhores fontes de receita que têm de momento. E vivendo nessa dicotomia, os clubes portugueses são também um retrato fiel do nosso país. Pobrezinhos mas com imenso talento. Depauperados, vão vendendo sonhos com discurso altamente sedutor.
UEFA Jesus Amorim Conceição desporto
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