Dois factos resultam do vandalismo da última semana e que menos comoção têm causado em alguma opinião política, mas interpelam o Estado e a sociedade. O motorista da Carris Metropolitana atacado, gravemente ferido e com sequelas para a vida, é uma vítima de crimes graves. É a vítima mais fortemente atingida a seguir a Odair. Os autores têm de ser encontrados e punidos. Este é um crime que não pode ser esquecido e que deve exigir um especial empenho da Justiça, políticos e instituições contra a impunidade, evitando a manipulação por forças extremistas dos dois lados. Por outro lado, as medidas de coação aplicadas, oscilando entre as apresentações periódicas e a proibição – meramente simbólica - do uso de isqueiros, mostram bem como o Estado está longe de uma cabal preparação para responder com eficácia a crimes de destruição de património público e privado. Se o barril de pólvora estourar com maior intensidade, estamos muito longe de conseguir aplicar com rigor, celeridade e eficácia, a boa receita que Keir Starmer utilizou no Reino Unido, nos tumultos de 2007 e agora, já este ano. Não enfrentar um problema destes, analisando, desde logo, a lei penal para verificar se é possível aperfeiçoá-la, será deixar um terreno fértil para explorações demagógicas e populistas, tanto da extrema-direita como da extrema-esquerda.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt