A saída de Amorim do Sporting não é das coisas mais surpreendentes, tendo em conta os valores por que se movimenta o futebol moderno. O treinador tem uma cláusula de rescisão, o Manchester United tem o dinheiro, Rúben Amorim tem a vontade de sair. Todos os astros se acertaram. O Sporting fica um pouco encurralado. Sobrará para os sportinguistas um sabor a traição. Na verdade, o treinador que fez juras de amor leonino depois daquele infeliz episódio da viagem a Londres, uma falsa partida, que queria ser bicampeão, que alimentou a ligação sentimental ao clube, também alimentou, afinal, uma comunicação de sportinguismo algo exagerada. Poderia ter pesado a ligação aos jogadores, alguns dos quais não terão saído para continuar às ordens de Amorim, mas nem isso funcionou. Os fatores sentimentais pesam pouco. O Sporting é hoje o melhor produtor de qualidade exportável, a todos os níveis, de dirigentes a treinadores e jogadores, mas não tem condições de rivalizar financeiramente com um colosso da estirpe do United. Não se pode, por isso, levar a mal a opção de Amorim, ainda que, na verdade, com a tensão instalada se perceba que os termos da saída estão mais próximos de um divórcio litigioso do que de uma rescisão amigável. Há um terramoto ainda silencioso em Alvalade.
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