Gouveia e Melo, o militar que se apresentou como uma espécie de homem providencial nesta pré-campanha, já deve ter percebido que a corrida não está no papo. Depois de Marques Mendes e António José Seguro terem vindo a subir a corda a pulso, o barómetro deste mês evidencia uma entrada forte de André Ventura nas intenções de voto. Ventura pode baralhar todo o jogo. Mais do que lutar pela consolidação da sua presença no espaço da direita, Ventura pode ser o travão a um projeto de poder que nasceu no berço de interesses diversos, dos restos de um PSD ressentido e agrupado à volta de Rio até grupúsculos maçónicos. E um projeto de poder que quer ocupar o espaço eleitoral do Chega, para ter uma vitória tão expressiva que lhe dê uma legitimidade reforçada para influenciar o rumo do Governo de turno.
Essencialmente limitando todo o tipo de fiscalização do poder político, seja a partir da justiça ou da comunicação social. Mas não será fácil. Ventura está num dilema complexo. Se avançar, pode comprometer a sua ambição de ser primeiro-ministro. Se não for a jogo, perderá por manifesta falta de comparência, coisa que não está na identidade do partido. Pode sempre dar liberdade de voto aos seus militantes e não apoiar ninguém, coisa que será uma solução menos má, desobrigando-se de apoiar Melo numa segunda volta. Não é, porém, fato que Ventura costume envergar.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt