Eduardo Dâmaso

Jornalista

O simbolismo do voto jovem

20 de janeiro de 2026 às 00:31
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O estudo dos resultados destas presidenciais é indispensável em todas as sedes partidárias. Se a extrema-esquerda sai dizimada pelo voto útil, agravando a crise em que já se encontrava, a fragmentação à direita vai marcar a discussão do poder por muitos anos. Ventura e Cotrim juntos têm 2,2 milhões de votos. Dois políticos que valem mais do que os próprios partidos, que representam direitas populistas e ultraliberais, que fazem campanhas muito parecidas nas redes, que desmontam os velhos padrões de fidelidade de voto, empurram o PSD para as cordas. Montenegro vai ter muitas dificuldades para sobreviver num cenário destes. Mas o PS também precisa de tempo para perceber o seu rumo. O projeto de liderar à sua esquerda já havia sido pulverizado, agora foi enterrado. Seguro salvou os socialistas de uma humilhação, caso apresentassem Vitorino, e pode dar-lhes uma vitória. Mas as dificuldades do PS em mobilizar os jovens, o voto feminino, em sair para lá dos segmentos eleitorais clássicos, pensionistas e Função Pública, são óbvias. Uma parte do eleitorado socialista também fugiu para Gouveia e Melo. Décadas a fio, PS e PSD não ligaram aos jovens porque não votavam. As redes sociais produzem hoje uma realidade muito diferente. E uma das coisas que estas eleições mostram é que Ventura e Cotrim estão muito à frente nesse campeonato que está a mudar o sistema político.

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