Luís Neves disse que o diretor da PJ não investiga nada e é verdade. O sistema português de investigação criminal é um dos mais independentes do mundo. O cruzamento da responsabilidade funcional entre a PJ e o Ministério Público, ‘dono’ do inquérito, para lá da intervenção do juiz de instrução criminal nas diligências mais intrusivas, confere um escudo robusto a interferências espúrias. Em cada inquérito, como no Spinumviva, há uma dúzia de pessoas, polícias e magistrados, que conhecem os factos e têm a responsabilidade de investigá-los. Há duas hierarquias a funcionar, com deveres rígidos. Seria impossível criar mecanismos de controlo que resistissem a uma pequena multidão desta natureza. O problema não está aí. É verdade que o diretor nacional não investiga nem tem hipótese de controlar uma investigação. A questão coloca-se no patamar da transparência e da perceção pública, essencial para o trabalho policial, para a política, de que as instituições são isentas. O trânsito direto de instituições como a PJ para a política pode aqui ser mitigado pela personalidade de Neves, conviria, no entanto, que não passasse a ser uma moda, sob pena de transformar a vida pública e política num pântano muito pior do que aquele que já existe.
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