Não é a primeira vez que acontece na Grande Lisboa. Agora, porém, foi no coração da capital. Os tiros na Rua do Benformoso nada terão a ver com a imigração, como alguns gostariam, mas com uma guerra de gangs pelo domínio do tráfico de droga. Dois feridos são imigrantes e danos colaterais, que ali passavam em trabalho. A insegurança num território que tem sido o palco da mais torpe demagogia sobre a imigração é induzida por criminosos que querem eliminar a concorrência. Uma luta que envolve gente de várias proveniências, cores e raças, incluindo brancos, nascidos e criados na zona de Lisboa. Este episódio comporta várias urgências sobre os mecanismos da segurança e da justiça, nenhuma sobre a imigração. Nenhuma delas, sintomaticamente, está na prioridade das personalidades que defendem mudanças nos clássicos pilares do poder de Estado. E essas urgências são simples de entender, se olharmos para os efeitos da explosão do tráfico de droga em países como Espanha, França, Bélgica, Suécia. Se políticos, polícias, peritos e magistrados não começarem a olhar para isso, não vamos ter só zonas urbanas excluídas ao exercício da soberania. Teremos a corrupção a escalar no coração do próprio Estado. Basta seguir a carta geográfica do crime que acossa a Europa Central e do Norte. Uma urgência para Luís Neves, seguramente.
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