Alfredo Leite

Jornalista

Nações (des)Unidas

04 de junho de 2026 às 00:31
Partilhar

Portugal foi eleito ontem membro não permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. É uma vitória simbólica para a diplomacia portuguesa com significado prático diminuto. Portugal passará a votar todas as resoluções do conselho, ao qual presidirá à vez, e pode até convocar reuniões de emergência. Mas, para que serve isto num organismo esvaziado de competências e prestígio num mundo em que as instituições são desrespeitadas e com tantos pretendentes a tiranos a asfixiarem a organização que já foi muito mais relevante na diplomacia e na assistência humanitária internacional? 
Num período de crise do multilateralismo, Portugal estará sentado durante dois anos numa cadeira com grande visibilidade diplomática, numa ONU que está manifestamente a perder a capacidade de moldar narrativas na defesa de causas nobres do nosso tempo. Sob a liderança de António Guterres, a ONU falhou reformas urgentes e a diplomacia excessivamente discreta do português, num tempo de populismos emergentes e guerras dificilmente explicáveis, arrastou o organismo para uma irrelevância perigosamente irreversível. E, mais grave que tudo isto, a ONU enfrenta uma crise financeira particularmente grave, decorrente essencialmente dos cortes impostos por Donald Trump e pelos atrasos contributivos da China. O risco de implosão da ONU é real e isso será uma catástrofe para o Mundo. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar