O facto de o número de milionários ter aumentado em Portugal é uma boa notícia. É bom para a economia e para o País haver mais pessoas ricas, que investem e gastam e fazem gerar mais riqueza. Mas os dados também apontam para um aumento de desigualdades e isso é mau, porque agrava o fosso social entre ricos e pobres e esmaga a classe média.
O aumento da desigualdade nota-se na análise fina da estatística. A riqueza média é mais do dobro da riqueza mediana. A média é como aquela história do frango para dois, um come o galináceo e outro não, mas em média cada um comeu meio frango. Já a mediana é uma medida que representa o valor do meio do universo. 50% da população tem menos e 50% tem mais. Enquanto os mais ricos puxam a média para valores superiores, o valor mediano conta melhor a situação patrimonial das famílias.
Por isso num País em que alguns milhões de pessoas lutam para chegar até ao fim do mês com o magro orçamento com o custo de vida a agravar-se e com a prestação de crédito a assustar, é também o mesmo onde o dinheiro depositado pelas famílias nos bancos ultrapassa os 203 mil milhões de euros , onde se compram casas a pronto a preços exorbitantes. É o País onde a maior parte fica em casa nas férias, se as puder ter, e uma minoria gasta fortunas em destinos de sonho. Há cada vez mais ricos, mas também há o risco de haver mais pobres.
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