Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoEstrela cadente
03 de setembro de 2026 às 00:31Luís Neves tem um impressionante currículo na Polícia Judiciária, e esse registo histórico não pode ser apagado por causa de todos os casos e casinhos que se conhecem depois de ele ter cometido o erro de ir para ministro. Também a PJ não pode ser arrastada para o lamaçal desta enxurrada política. A justiça tem de ter mecanismos que corrijam e evitem desvios no seu seio, mas a vingança de querelas antigas que agora saltam para a praça com alguns episódios mesquinhos prejudica a imagem de instituições que deveriam merecer a confiança dos cidadãos.
Num país mais exigente com os titulares de cargos públicos, Luís Neves já não tinha condições políticas para liderar um ministério, mas importa sublinhar que o anterior diretor da PJ ainda não foi acusado de nenhum crime. E mesmo que eventualmente seja acusado, tem direito a defesa, e até agora ainda não há provas irrefutáveis de ilícitos criminais.
No seu magistério no Ministério da Administração Interna teve, nestes meses, muito melhor desempenho do que as suas antecessoras e já prestou um inestimável serviço ao resolver o caos nas fronteiras dos aeroportos. Mas a inexperiência política de Neves associada ao pecado da soberba fizeram do ministro mais popular do Governo um saco de boxe político que amortece a incompetência e a inexistência política de vários colegas. Neste verão, Luís Neves foi a estrela cadente da decadente política portuguesa.
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