Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Fora de tempo

28 de outubro de 2026 às 00:31
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As declarações do Presidente da República sobre a carga policial no Rossio são fortes e importantes. O problema é que surgiram com 48 horas de atraso. Ditas domingo tinham mais força. O tempo de reação, no teatro, na política, no futebol, ou na vida é tudo. É precisamente a reação no tempo certo que distingue os grandes atores, os grandes artistas, os grandes políticos do comum dos mortais, dos canastrões.  Agora num mundo cada vez mais anglófono, diz-se 'timing', mas António José Seguro, o homem que na história da democracia mereceu mais votos dos portugueses corre o risco de ficar acantonado no Palácio de Belém se continuar com esta política de distanciamento em relação aos acontecimentos quotidianos. O País precisa de reflexão, estudo, ponderação, mas numas semanas tão atípicas como foram as últimas, com o justo protesto face aos problemas da habitação e as cargas policiais no Porto e em Lisboa, esperava-se  uma resposta mais atempada, quer do primeiro magistrado da Nação, quer do primeiro-ministro, que esteve incógnito. Nestas últimas semanas parece que o País ficou sem rei nem roque,  entregue ao intendente émulo de Pina Manique, que no Terreiro do Paço impunha com mão de ferro uma lei que corre o risco de ferir a constituição.  

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