O ministro da Administração Interna, Luís Neves, meteu um ponto de ordem na discussão sobre as polícias municipais. Meteu um ponto de ordem na ânsia de Carlos Moedas em colocar a ‘sua’ Polícia Municipal a fazer detenções de pessoas. A lei, aliás, é clara e nem precisava que Luís Neves viesse separar as águas. A competência própria para fazer detenções é da PSP, sem prejuízo de se valorizar o papel da Polícia Municipal, composta por polícias oriundos daquela instituição e com “um papel muito relevante”, na opinião de Neves, porque “conhece as dinâmicas locais”. Uma das “dinâmicas locais” que urge a Polícia Municipal conhecer são os elevados índices de incumprimento do Código da Estrada que se verificam em muitos bairros de Lisboa.
A Polícia Municipal não consegue evitar o estacionamento em segunda fila, na maior das ruas e avenidas, onde ele é uma verdadeira chaga. E há muito que não tem uma presença, simbólica que fosse, em locais onde existem elevados índices de atropelamento em passadeiras. Locais de elevada densidade populacional, com escolas e população idosa, que os automobilistas habitualmente não respeitam. Ruas e avenidas onde o limite de velocidade é de 30 km/h, mas ninguém quer saber. E, também, onde nunca colocaram radares, se calhar porque são necessários noutros pontos onde a caça à multa é muitíssimo mais rentável. Para pôr a Polícia Municipal a servir melhor as pessoas, talvez fosse melhor começar por aí.
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