Paulo João Santos

Jornalista

A carta da esperança

06 de junho de 2026 às 00:31
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A carta de Zelensky a Putin, com a proposta de um encontro a sós para colocar um ponto final na guerra da Ucrânia, traz um elemento novo, que passou algo despercebido. Pela primeira vez, Zelensky admite a perde de território, quando afirma que “a linha da frente de hoje é a linha de onde a diplomacia deve começar” e acrescenta que não devem ser consideradas outras conquistas territoriais. Isto permite a Vladimir Putin sair da guerra vitorioso, já que a Rússia, além da península da Crimeia, passaria a controlar cerca de 20% do território ucraniano. Mas Zelensky também não perderia a face. Mesmo que a questão da NATO não fizesse parte da conversa, certamente que a sua capacidade defensiva e ofensiva sairia reforçada e, não menos importante, a adesão à União Europeia, à qual Moscovo não se opõe, bem mais rápida.

Estão, assim, criadas as condições para um acordo de paz duradouro. Donald Trump já aplaudiu a ideia e seria importante que Ursula von der Leyen e António Costa partilhassem do mesmo entusiasmo, tanto mais que Zelensky e Putin veem com bons olhos a participação de um representante europeu na discussão de um futuro acordo de paz. Mas seria, sobretudo, uma oportunidade única para os 27 darem um sinal de que a União Europeia, em matéria de diplomacia, ainda não morreu.

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