Paulo João Santos

Jornalista

A corda e o escadote

15 de setembro de 2024 às 00:31
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São inúmeros os filmes sobre fugas da prisão - como ‘Papillon’, ‘Os Fugitivos de Alcatraz’, ‘Os Condenados de Shawshank’ ou ‘O Expresso da Meia-Noite’, seguramente entre os melhores -, mas nunca nenhum argumentista se lembrou de algo semelhante ao que aconteceu em Vale de Judeus. A razão é simples, o espectador sentia-se enganado. Como é que cinco prisioneiros, cuja soma dos crimes é maior que a lista de compras de uma dona de casa, escapam de uma cadeia de alta segurança por uma corda e um escadote à luz do dia? Ao longo da semana, o assunto foi amplamente discutido, a ministra da Justiça indignou-se com o inexplicável, mas a palavra que mais se ouve nos cafés e conversas de rua é ‘vergonha’. E com razão. Falhou tudo neste filme ridículo. O antes, o durante e o depois.

A falta de guardas e o desinvestimento nas cadeias não nasceram no Governo de Montenegro, mas também é verdade que em cinco meses nada foi feito. Não é admissível que Vale de Judeus estivesse sem diretor; que o alerta à GNR e à PJ tenha levado horas e a emissão de mandados de captura internacionais, quatro dias. A demora em resolver estas questões, a exemplo do que se passa na educação, na saúde, na justiça, não pode continuar a ser justificada com o que os outros (não) fizeram. É um clássico, não há Governo que não o faça, mas é altura de mudar a narrativa. Cansa e não responde a coisa nenhuma.

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