Ventura nunca explicou a relação do seu partido e de alguns dos seus dirigentes com o grupelho nazi conhecido por 1143. Nunca conseguiu distanciar-se dos elementos daquele gang detidos pela PJ. Sabe que o peso da história também atrapalha um dos seus principais ideólogos, Pacheco Amorim, uma das eminências pardas do MDLP, grupo de radicais spinolistas e católicos que andaram a incendiar sedes de partidos em 1975. Que andaram a fazer atentados à bomba e a matar pessoas, antes e já depois do 25 de Novembro. Que uma grande parte dessas pessoas, como Pacheco Amorim, nunca se distanciou do prolongamento da violência, em 1976, pela Rede Bombista, outro grupelho saído do MDLP, do ELP, da extrema-direita salazarista. Ventura não era nascido naquele tempo, mas sabe isso tudo. Sabe que tem gente, muito perto de si, com sangue nas mãos, o que o aconselharia, pelo menos, a evitar o discurso da pureza originária em matéria de violência política. Mas isso é apenas um ponto. O outro, a diabolização da Constituinte, dos deputados que fizeram e votaram a lei fundamental, a mistura de alhos com bugalhos, com um fenómeno de terrorismo de esquerda que só aconteceu nos anos 80, que não tem relação com o que se estava a comemorar no parlamento, mostra bem o que Ventura é: um político que joga na dupla moral, na dupla contabilidade e na dupla verdade. Não é só malcriado, é um perigo para a democracia que o PSD agora abraça.
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