Paulo João Santos

Jornalista

A esquadra do Rato

10 de maio de 2026 às 00:31
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Os crimes de que estão indiciados mais de duas dezenas de agentes no caso da esquadra do Rato são gravíssimos. Tortura, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física. O facto de haver um conjunto elevado de polícias sujeito à medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva, indicia que as provas são sólidas. Aguardemos pela acusação e posterior julgamento para saber até onde chegou a violência. Mas, independentemente do desfecho do processo, este caso deve fazer refletir sobre o modo como é feito o recrutamento dos agentes e que formação lhes é dada. Fica a ideia de que não há grande critério. Ora, quem zela pela nossa segurança não pode comportar-se como um justiceiro. Quem veste uma farda representa o Estado de direito, tem de sabê-la honrar e dignificar.

Convém, também, não misturar alhos com bugalhos, como fez André Ventura, acusando Luís Neves de “fazer gala” de ações contra os polícias e de não os defender. Os problemas que enfrentam os agentes devem estar na primeira linha das preocupações do Governo, e não tem estado. Certo. Mas o facto de a classe não receber a atenção que merece, em matéria salarial e condições de trabalho, nada tem a ver com comportamentos desviantes. Isso é outra ‘guerra’. A Polícia, em quem os portugueses confiam, não é isto. E os verdadeiros profissionais, que todos os dias arriscam a vida pela nossa segurança, são, certamente, os primeiros a condenar aqueles atos.

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