Donald Trump partiu para a China com a habitual declaração de fanfarronice. Sublinhou a importância dos dois países no Mundo, as duas maiores potências, disse, ainda que os EUA estejam em primeiro lugar. A fanfarronice parte de uma constatação de facto no plano militar, mas não faz a história das relações entre os dois países nos últimos anos. Ignora a política errática de tarifas, bem como as respostas chinesas. Ignora o valor da dívida pública norte-americana detida pelos chineses, usada contra os EUA de forma humilhante na guerra tarifária. Ignora a exibição da enorme vantagem da China em matérias de propriedade e mineração de terras raras. Ignora as debilidades autoinfligidas com a guerra do Irão e o enfraquecimento da aliança militar e política com a Europa. A América simbolizada por Trump e a sua política, que aterrou ontem em Pequim, é uma potência mais fraca, mais errática, menos previsível e segura. É uma potência mais dada a negociatas de circunstância e oportunidade que, no caso, pode vir a revelar-se uma presa fácil para a poderosa diplomacia chinesa, interessada em enfraquecer a relação americana com Taiwan e no continente asiático em geral. E, para isso, os chineses, como se sabe, podem esperar, privilégio que não está na disponibilidade de um Trump em dificuldades para as eleições de novembro.
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