Paulo João Santos

Jornalista

A hora da cigarra

21 de abril de 2026 às 00:31
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Estão tremidas as negociações para a paz no Médio Oriente. Trump negoceia de pistola na mão, o Irão não confia nos EUA, Israel e o Hezbollah não acreditam em cessar-fogos. O Mundo observa, à espera de qualquer coisa, sem saber bem o quê. Nas mãos de Trump e Netanyahu nunca se sabe o que dali vem, apenas que nada de bom. 

Os portugueses, conscientes da situação, começaram a deitar contas à vida. Uns arrumam o carro, que não há dinheiro para a gasolina; outros adiam o jantar romântico, que a ementa está pela hora da morte. As donas de casa, no seu sentido prático, trocam o bife pelas salsichas e a dourada pelas conservas, mas não faltará comida no prato.

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Ninguém imaginava que chegássemos a este ponto. Sabia-se que Trump não era de fiar, mas isto?!...Enfim, é o que é, agora é aguentar, de preferência ao sol, com as ondas a bater nos pés. Na lista da mudança de hábitos que os portugueses se viram forçados a alterar, há um de que não abdicam: férias fora de casa. Pode não ser no Dubai ou nas Maldivas, ou até no Algarve, que deve estar caro. Mas há de ser nalgum sítio.

Recomenda a prudência, que em tempos de crise devemos adotar o ‘comportamento formiga’, mas há alturas em que o melhor mesmo é ser cigarra. A vida são dois dias e o de ontem já lá vai.

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