Eduardo Dâmaso

Jornalista

A luta de João Cravinho

20 de abril de 2025 às 00:31
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João Cravinho fica na história por várias razões, mas a mais significativa está relacionada com o chamado ‘Pacote Cravinho’ contra a corrupção. A discussão gerada, em 2006 e 2007, deste conjunto de diplomas, que propunha medidas de repressão, mas também de modernização administrativa, visando eliminar as oportunidades criadas por leis confusas, inaplicáveis e cheias de omissões ou alçapões, escondendo cláusulas feitas à medida de interesses particulares, é inesquecível. Ela mostrou a falta de vontade política por parte desse PS em lutar contra a corrupção. As reações do Governo de Sócrates às propostas de Cravinho foram uma antologia de cinismo e hipocrisia. Governo e PS barricaram-se numa farsa de manipulação dos direitos fundamentais e Sócrates chegou mesmo a chamar-lhe uma “enorme asneira”. O PS, com exceção de Seguro, mergulhou num silêncio mortificante. O baronato que anda por aí a clamar por um bloco central e contra o fascismo não piou. Pelo contrário, quando Sócrates foi detido, saltou para a primeira linha de tiro à justiça. Com o desmantelamento da JAE e do velho reino dos ‘sete magníficos’, como eram conhecidos os tecnocratas do PSD e do PS que ali mandavam há décadas, Cravinho percebeu que a corrupção política era muito alta e funda. E também deixou de ter ilusões sobre a vontade do dito ‘centrão’ em combatê-la. Com a sua morte, cala-se uma voz única na defesa da integridade, mas não se apaga o exemplo.

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