Paulo João Santos

Jornalista

A moção de censura

04 de setembro de 2026 às 00:31
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É um exercício saudável, fácil de fazer, não custa dinheiro e dá-nos outra perspetiva das coisas: colocar-nos no lugar do outro. Imaginemos que o PSD era o maior partido da oposição, o Governo era socialista e o ministro da Administração Interna era confrontado com as mesmas polémicas em que está envolvido Luís Neves. As obras, a piscina, o atrelado, o carro, as declarações de rendimento. O que diria Montenegro? Mesmo sem chegar ao extremo de apresentar uma moção de censura, certamente que teria uma posição bem diferente da que tem assumido.

Ainda que sem poderes executivos, a Constituição confere ao Presidente o papel de fiel da balança. Com Governo e oposição ‘cada um na sua’, é a ele que cabe olhar para os dois lados do problema e, a partir daí, exercer a magistratura de influência, se necessário, ou agir em conformidade. Até agora, Seguro limitou-se a pedir celeridade nas investigações em curso. Diz-se que disse outras coisas, mas, publicamente, apenas o desejo de ver as coisas andar depressa. Ou seja, esperar para ver, mesmo sem saber quanto tempo dura a espera.

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A moção de censura não irá encurtar esse tempo, mas pode esclarecer o que precisa de ser esclarecido e contribuir para que a crise política não se eternize. 

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