Ainda a propósito da propriedade imobiliária e a sua relação com a política, cumpre evocar o caso de Montse Mínguez, a ex-porta-voz do PSOE. Mínguez alimentava a retórica bélica contra os falcões do imobiliário, da especulação, dos fundos-abutre, dos senhorios gulosos. Alinhava a narrativa de combate pré-eleitoral do PSOE no sentido de apagar as suas próprias responsabilidades na falta de habitação e orientava os canhões contra os adversários políticos. Até ao dia em que foi noticiado que o seu marido era detentor de um fundo-abutre, que tinha casas de luxo tituladas por empresas offshore, que promovia despejos a torto e a direito. Que ela própria, enquanto autarca, deixou um rasto de cadáveres em matéria de decisões relacionadas com a habitação. Pedro Sánchez tentou segurá-la. Os seus padrões éticos e morais são muitíssimo baixos, como sabemos. O resgate, porém, foi impossível. Montse Mínguez é mesmo um daqueles casos em que o ponto de partida, a condição de proprietária, de privilégio e poder, é decisivo para que se perceba a hipocrisia e o oportunismo que caracterizam a miséria moral do próprio PSOE de Sánchez. É um flagrante. Não só nunca fez nada pelos inquilinos como procurou posicionar-se, em ambiente eleitoral, como um herói da esquerda no combate contra a tenebrosa direita. O resultado é conhecido. A esquerda chegou onde está, em recuo pela Europa, por causa de ‘heróis’ como Sánchez.
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