"Só queria encontrar o meu gato”, diz a criança, imóvel, no meio dos escombros, enquanto chama pelo bichano. O seu olhar é o reflexo da tragédia: vazio. Quando a fúria do vento atinge 150 km/h, não há muito a fazer. Como diriam os gauleses da aldeia do Asterix, é esperar que o céu não nos caia na cabeça. Impressionante o rasto de destruição. Foi tudo à frente! Avisados ou não, era impossível travar a ira da Natureza. O problema está na reação. Mais uma vez, Portugal revelou que não está preparado. Nunca está. Vemos isso nos fogos, vimos isso no apagão. Fazem-se estudos, prometem-se soluções, mas fica tudo na mesma. Não é admissível tanta gente tantos dias sem luz, sem água, sem comunicações, sem ajuda, sem apoio, isolada, esquecida. É tudo devagar, devagarinho e parado. A reação de Montenegro foi dizer que estava a avaliar os estragos, como se tivesse vindo de outro planeta, em lugar de decretar de imediato a situação de calamidade; o ministro da Presidência publicou um vídeo sem sentido a mostrar que estava a trabalhar; a ministra da Administração Interna é a atrapalhação em pessoa. E que dizer do candidato Seguro quando comunicou à Nação, a propósito das empresas afetadas pelo temporal, que “há pessoas que dependem do seu salário para viver”? Quem diria, António José Seguro, quem diria. Mas o mais extraordinário veio da Defesa: então não é que num cenário de guerra o exército ficou nos quartéis? Valha-nos Deus.
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