A ideia peregrina de abrir o recrutamento militar a jovens que tenham cometido pequenos delitos evidenciou, numa penada, a impreparação de dois ministros. Do ministro da Defesa, Nuno Melo, autor da ideia, ainda que “para efeitos académicos”, e da ministra da Administração Interna, Margarida Blasco. Um e outro mostraram desconhecer por completo as questões associadas à discussão do recrutamento, balizada pelo serviço militar obrigatório, pelos regimes de voluntariado e profissionalização. Tendo também como referência os dois pilares essenciais da qualificação e motivação dos recrutas. Não existem Forças Armadas que não preencham esses dois requisitos, sob pena de serem tropas-fandangas. Podiam ter aproveitado qualquer um das dezenas de estudos que há por aí para perceber que não existe, na Europa, qualquer experiência do género. Por fim, mas não de somenos, teriam de fazer uma revisão constitucional para repor a obrigatoriedade do serviço militar. Os dois ministros perderam uma oportunidade para estar calados e para não minar a sua própria credibilidade e autoridade. De resto, voltam a confirmar a ideia de que muito do populismo que aí anda não é exclusivo do Chega.
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