Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoAbril, de liberdade
25 de abril de 2026 às 00:31A esmagadora maioria dos portugueses de hoje já nasceu depois do dia 25 de abril de 1974. Para os mais jovens aquele "dia inicial inteiro e limpo", como escreveu Sophia, já parece tão distante como para os mais velhos o 5 de outubro de 1910. Mas importa celebrar Abril e o que representa, acima de tudo a Liberdade. Tudo começou num golpe militar desencadeado pela insatisfação de militares de carreira, mas no momento em que os homens comandados por Salgueiro Maia ocuparam o largo do Carmo o 25 de abril transformou-se numa revolução.
O País pobre e fechado, asfixiado culturalmente, onde as mulheres eram cidadãs de segunda classe, com menos direitos do que os homens, onde os jovens rapazes estavam condenados à guerra colonial , foi mesmo libertado nessa revolução.
Foi a incapacidade de resolver a questão da guerra colonial que acabou com o anterior regime. Marcelo Caetano, extraordinário jurista, não conseguiu após a queda de Salazar antecipar uma solução política para um modelo de independência pacifico.
Banalizou-se a ideia que Abril não cumpriu a promessa dos três D: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. Mas um olhar distanciado mostra que a promessa foi cumprida. Vivemos num regime democrático e livre. A descolonização foi a possível num momento revolucionário de um mundo dominado pela guerra fria. E quanto ao desenvolvimento, Portugal hoje está bem diferente. Podia estar ainda muito melhor, mas isso não é culpa de Abril. É nossa.
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