Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

As cabras e os fogos

05 de julho de 2026 às 00:31
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Não é preciso conhecer qualquer algoritmo para saber que mal que o calor aperta, os incêndios fustigam o País. E agora já não é só o interior abandonado e esquecido que volta habitualmente a ter destaque informativo no tempo das tragédias. As imagens das chamas perto do perímetro urbano no concelho de Setúbal são um exemplo dos riscos que o País corre por causa do perigo dos fogos. A maior frequência das ondas de calor agrava o risco, mas a culpa não é apenas do clima.

É também nossa, por causa do desleixo a que votamos o território, da falta de cuidado e de prevenção. Os terrenos abandonados onde cresce o pasto ficam à espera que em qualquer verão as chamas o devorem . Tal como as enormes manchas florestais de eucalipto, sem zonas com outra vegetação que possam servir de travão para o avanço das labaredas, tornam ainda mais difícil combater os incêndios. Durante décadas as pobres famílias da agricultura de sobrevivência faziam um serviço invisível de proteção civil. Mas esses esforçados agricultores foram desaparecendo o território ficou cada vez mais desprotegido. Os municípios e o  poder central fazem alertas, leis, editais, mas o território continua ao deus dará. Às vezes surgem boas ideias, como as cabras sapadoras, mas nem essas boas ideias, simples e relativamente baratas se propagam no território. Nesta matéria,  as cabras no monte são mais úteis do que muitos burocratas nos corredores do poder.

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