Paulo João Santos

Jornalista

As mensagens de Montenegro

03 de janeiro de 2026 às 00:31
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Quem escutou as palavras no primeiro-ministro na dupla mensagem festiva, não pôde deixar de notar uma preocupação e uma ausência. A preocupação em sublinhar que este Governo vai durar três anos e meio e a ausência de ideias em matéria de imigração. Sobre o tempo de vida do Executivo, fica a dúvida: terá André Ventura ou José Luís Carneiro passado um cheque em branco a Montenegro, ou é uma forma de o chefe do Governo preparar a defesa, vitimizando-se, se as coisas correrem para o torto? Até porque há uma questão pendente, as presidenciais, que podem baralhar as contas da estabilidade, se o próximo inquilino de Belém não for Marques Mendes ou Seguro.

Sobre à imigração, vale a pena recuperar as palavras do primeiro-ministro quando pediu aos portugueses que acabem com o “deixar andar”. Ora, se alguém está a “deixar andar” é o Governo. É certo que o descontrolo não nasceu com Montenegro. Mas quando nem sequer conseguimos assegurar o controlo fronteiriço, no aeroporto de Lisboa, dentro dos parâmetros definidos pela Europa, algo vai mal. Muitos países democráticos - e não é preciso ir à América de Trump - estão a tomar medidas. Se não o fizermos, será muito mais difícil responder aos problemas que o País enfrenta - na saúde, na habitação, na segurança. Eisto não é estar contra a imigração. Não creio que um imigrante que nos procura para trabalhar e ter uma vida melhor aplauda o ‘salve-se quem puder’.

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