Eduardo Dâmaso

Jornalista

Assassinatos de carácter

17 de maio de 2026 às 00:31
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O jornalismo assassinou Sócrates? Sem dúvida. Desfez-lhe a tese da fortuna da mãe, que justificava todas as extravagâncias. Mostrou que a dita fortuna eram umas casitas que o amigo Santos Silva comprou com generosidade. O jornalismo mostrou que vivia muito bem em Paris, mas com dinheiro que não lhe era conhecido. Que tinha o usufruto de uma casa de luxo na capital francesa, alegadamente comprada pelo referido amigo. Os malandros dos jornalistas também desmontaram, peça a peça, aquela pantomima montada com Lalanda de Castro, que lhe deu um contrato faz de conta para justificar umas massas. Uma boa parte das notícias do CM que assassinaram Sócrates foram feitas quando nem existia um processo judicial. Depois, também foi o jornalismo que expôs, antes da justiça, os esquemas de controlo da PT. O jornalismo assassinou Sócrates, é verdade, porque mostrou a mais completa ausência de seriedade do homem que governou Portugal com maioria absoluta. Porque mostrou a proteção recebida entre pares, no PS, no sistema de justiça e de algumas personagens, à esquerda e à direita, quando os investigadores de Aveiro destaparam o seu plano para controlar a comunicação social. O jornalismo mostrou a agonia moral da liderança política de Sócrates. Já o carácter era impossível ter destruído porque não se destrói o que não existe. O senhor procurador António Beirão deveria saber isso. Ou a hierarquia do MP poderia ter-lhe explicado.

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