Não há guerras sem danos colaterais, há sempre crianças, mulheres, idosos, inocentes na contabilidade das vítimas. Mas nem todas as ações que atingem a população civil são acidente, há operações militares com o objetivo deliberado de matar quem não se pode defender. O terror é uma arma tão poderosa como as bombas.
“As pessoas têm medo de monstros”, já dizia o príncipe Vlad, o Empalador, retratado no filme ‘Drácula: AHistória Desconhecida’. Espetava os inimigos em estacas de madeira, como forma de assustar e intimidar os exércitos adversários, mesmo que maiores e mais poderosos. Mas a ‘tática’ do homem que inspirou o conde Drácula, criado por Bram Stoker, nem sempre alcança o que se pretende. Pelo contrário.
Nas guerras da Ucrânia e do Médio Oriente temos assistido a algumas monstruosidades, independentemente das dúvidas que possam suscitar, se enquadradas num dano colateral ou num ato deliberado. Apesar do medo que possam criar, o efeito tem sido o inverso do pretendido. O bombardeamento a uma escola iraniana no início da guerra entre os EUA e o Irão, matando mais de 150 crianças, é um bom exemplo. Se a população estava dividida quanto ao regime dos aiatolas, aquela bomba uniu-a. Depois daquilo, Trump nunca poderá cantar vitória.
Difícil compreender, por isso, o ataque ucraniano de ontem a um campo de férias em Zaporizhzhia, que matou crianças. E logo agora, que a Ucrânia até estava a equilibrar os pratos da balança.
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