Durante meses a fio, as autoridades israelitas fecharam os olhos à humilhação coletiva dos palestinianos na Cisjordânia por parte de colonos judeus. E, em muitos casos, foram os partidos mais radicais da coligação que mantém Benjamin Netanyahu no poder a incentivar o uso da força contra quem tem, legalmente, direito a viver naquele território. Os sistemáticos ataques dos novos colonos foram, muitas vezes, combinados com ações musculadas das forças de defesa de Israel presentes nas cidades e vilas palestinianas, circunstância que tornou o exército cúmplice de uma infâmia deliberada e premeditada. Parte destas ações realizaram-se na chamada área A da Cisjordânia, zona que, de acordo com os acordos de Oslo, é controlada pela Autoridade Palestiniana e vedada a israelitas. Violações sistemáticas do entendimento de 1993 transformaram a Cisjordânia num barril de pólvora que, inevitavelmente, acabaria num troca de tiros, como a ocorrida ontem, entre palestinianos, colonos e Exército causou seis mortos. Os contornos do caso ainda não são claros, mas isso não parece ser relevante para Netanyahu. O primeiro-ministro israelita já condenou sem julgar e promete ações severas contra os palestinianos e, sem surpresa, mais colonatos e o reforço da presença militar para, no fundo, replicar na Cisjordânia a terraplanagem à bomba feita em Gaza. E isso deve preocupar a comunidade internacional democrática.
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