Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial Adjunto"No norte e centro o abandono dos campos deixou pasto livre para as chamas"
31 de julho de 2025 às 00:31Já há algumas décadas que os grandes incêndios se transformaram numa tradição estival neste País. E particularmente desde a tragédia de 2017 houve um conjunto de leis destinadas a prevenir os fogos e há um forte investimento do dinheiro dos contribuintes no combate, quer no apoio aos bombeiros, quer nos milionários contratos de meios aéreos. Mas a repetição de incêndios de forma quase cíclica, nas mesmas terras, que com intervalo de poucos anos voltam a ser objeto de diretos televisivos pelas mesmas trágicas razões, mostra que continua a haver um grande descaso pelo ordenamento do território e o abandono do interior é algo de inexorável , que nem as promessas dos políticos , nem as suas lágrimas de crocodilo, conseguem inverter.
No norte e centro do País, nas zonas onde impera o minifúndio, a morte dos velhos agricultores e a consequente desertificação humana deixou um campo de mato contínuo que se transformou no pasto para as chamas. Este ano, com inverno particularmente chuvoso, as ervas que cresceram vigorosamente na primavera tornam-se agora mais um obstáculo à contenção dos incêndios. Com temperaturas cada vez mais extremas é impossível evitar a deflagração de fogos , mas com um melhor ordenamento do território e da floresta é possível mitigar o impacto. Sem a valorização económica do território, todos os discursos de prevenção de incêndios não passam de promessas vãs que as chamas devorarão.
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