Alfredo Leite

Jornalista

Como nos filmes

11 de setembro de 2026 às 00:31
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Quem assistiu em direto à implosão das duas torres gémeas do World Trade Center e, depois, à repetição até à exaustão daquelas imagens de infâmia na manhã de 11 de setembro de 2001, coincidiu na consideração de que nunca a ficção ousou ir tão além da realidade. Nunca, como naquela manhã de neblina suave em Manhattan, um atentado terrorista se pareceu tanto "como um filme". Com ação, drama e, viemos a saber mais tarde, um vilão chamado Bin Laden. Passados 25 anos, talvez já seja possível encarar cinematograficamente os ataques sem corrermos o risco de nos distanciarmos do lado emocional do acontecimento. Tanto tempo depois, também já temos o distanciamento suficiente para perceber que as invasões do Afeganistão e do Iraque, que se seguiram, resultaram em pouco ou nada. E sabemos o quanto a expansão da paranóia securitária condicionou a nossa liberdade admitindo, porém, que ela pode ter evitado outros atentados. Mas os ataques em Nova Iorque também marcaram a ignição de uma islamofobia até então tímida. Os imigrantes, sobretudo islâmicos, passaram a ser estigmatizados, como nunca antes, na sua diferença que nos trouxe ao ponto onde nos encontramos hoje: Um mundo mais intolerante. 

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