Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Despojos do Brexit

23 de junho de 2026 às 00:31
Partilhar

Dez anos após o referendo do Brexit que decidiu retirar o Reino Unido da União Europeia,  os britânicos vão ter o seu sétimo primeiro-ministro. Esta agitação política numa democracia de séculos,  que habituou o mundo a ser um farol de estabilidade,  revela a decadência de uma nação que ainda tem a memória de um grande império, que já foi durante muito tempo o País mais rico da Europa, mas que ficou ainda mais irrelevante após a separação com os parceiros europeus.  Sozinhos nas ilhas, já foram ultrapassados pela Índia na lista das maiores economias do mundo. Keir Starmer tentou continuar na liderança, mas os deputados trabalhistas que têm o seu futuro político em risco com o crescimento dos populistas forçaram a saída e esperam que o antigo autarca de Manchester consiga impedir a vitória da extrema-direita nas eleições.  A ascenção política da extrema-direita populista com o partido de Nigel Farage, um dos campeões do Brexit, é outra das novidades da velha democracia britânica. Durante séculos os britânicos habituaram-se a um rotativismo bipartidário, primeiro entre conservadores e liberais e depois entre conservadores e trabalhistas. O sistema eleitoral tornava muito difícil a eleição de deputados extremistas, mas a a avalanche populista está a ameaçar essa tradição. Algo está mal no reino quando as ideias extremistas triunfam na Grã-Bretanha. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar