Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Dever de escrutínio

17 de julho de 2026 às 00:31
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A ministra da Justiça, Rita Júdice, veio a terreiro defender o seu colega da Administração Interna e inquieta-se  "como alguém pode reagir ou aceitar sem indignação que a sua vida e a sua casa, sem qualquer autorização, seja invadida. Seja por quem for. O direito à informação é importante, o trabalho jornalístico é importante, mas há limites que têm de ser respeitados".

A ministra esquece que os cidadãos têm todo o direito a escrutinar os detentores do poder e se há dúvidas sobre qualquer negócio de casas, como houve há mais de três décadas com a casa de Cadilhe ou o monte do seu sucessor no Ministério das Finanças ou com a herdade de António Vitorinom que o levou à demissão, elas têm de ser esclarecidas. É legitimo hoje escrutinar todos os negócios nebulosos dos ministros, tal como as dúvidas em Espinho com a casa da primeiro-ministro. Tenho Luís Neves no rol de pessoas honestas, mas há tantas trapalhices e omissões que num quadro mais exigente das democracias do norte da Europa seria insustentável a permanência de uma pessoa com este currículo no governo. No dia em que os jornalistas forem proibidos de escrutinar o currículo, o património e os negócios dos ministros, a democracia acaba e o País ficará ainda mais exposto a golpes nepotistas que enriquecem alguns e nos prejudicam a todos. 

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