Paulo João Santos

Jornalista

E assim se perde uma guerra

09 de agosto de 2026 às 00:30
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E assim se perde uma guerra sem sentido, só para satisfazer os desejos de um aliado que nem sequer respeita os compromissos assumidos pelo amigo que correu em seu auxílio. Ou Donald Trump não ouviu os seus conselheiros, ou fez orelhas moucas, confiante que o poderio militar norte-americano seria suficiente para vergar o regime dos aiatolas. Erro de cálculo. Não contava com uma resistência tão firme e determinada de Teerão; não contava que a Guarda Revolucionária começasse a disparar sobre tudo o que mexia à sua volta; e, sobretudo, não esperava que os iranianos tivessem uma arma secreta, o estreito de Ormuz. São 167 quilómetros de extensão, entre 39 e 96 de largura, que deitaram por terra toda e qualquer perspetiva de vitória. Num ato de desespero, procurou ganhos no Líbano e na Faixa de Gaza, mediando cessar-fogos e acordos de paz. Em vão. Devia ter percebido que Benjamin Netanyahu não ouve ninguém - como tinha avisado em tempos Josep Borrell, ex-chefe da diplomacia europeia. Resta-lhe aparecer na fotografia do acordo que o Irão e Omã se preparam para celebrar e que deverá permitir a a navegação no estreito de Ormuz, abrindo a perspetiva de um regresso à normalidade do mercado petrolífero. Mesmo sem se perceber qual foi o seu contributo, se é que existiu. Muito pouco para quem tanto prometeu. O regime iraniano continua de pá, o programa nuclear mantém-se, a ameaça é a mesma. 

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