Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoEscolha política
25 de julho de 2025 às 00:31A decisão do governo em mudar a liderança do Banco de Portugal é uma escolha política. Álvaro Santos Pereira tem um bom currículo para ser governador. É um economista respeitado com carreira internacional e quando foi ministro da Economia fez a maior revolução das leis laborais em tempo da democracia. Os patrões devem estar gratos pelo corte brutal nas indemnizações por despedimento.
Mário Centeno foi um excelente governador, representou bem a instituição e podia ser reconduzido. Porém, foi vítima da situação política. Com um parlamento em que a direita tem mais de dois terços dos deputados é natural que o antigo ministro dos governos do PS tenha sido sacrificado. No entanto, a campanha que antecedeu a saída de Centeno, com insinuações vagas sobre o negócio da nova sede tem um caráter vil. Obviamente o Banco de Portugal tem de ter uma sede condigna numa zona nobre da capital e não num armazém de subúrbio. A operação merece escrutínio público, até ao último detalhe, mas atirar pedras contra alguém e esconder a mão é um ato soez. Centeno tem agora carta branca para uma carreira política. Seria um excelente candidato a Belém, mas o seu perfil é mais executivo. É o melhor ativo do PS, embora ainda não seja militante. E com ele na liderança dos socialistas, Montenegro teria um adversário poderoso em eventuais legislativas. Porque o legado que deixou nas Finanças é um forte capital político que rende votos.
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