Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Falha de gestão e de liderança

10 de setembro de 2024 às 00:31
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No escândalo da fuga de presos de Alcoentre começaram logo a ter destaque as vozes dos sindicatos sobre a falta de profissionais, um discurso comum a toda a Administração Pública. Mas o que aconteceu na cadeia de Vale de Judeus não é por culpa da escassez de pessoal, é por falta de gestão, de liderança, e também de falha profissional grave, porque é inadmissível que quem esteja a controlar as câmaras de videovigilância cometa uma falha tão grosseira ao longo de tanto tempo.

O efetivo da prisão é de 150 guardas para mais de 500 presos. Mesmo que muitos estejam de baixa, e o absentismo por doença parece elevado nesta profissão, o rácio é de um guarda por menos de 5 presos. Se o discurso de falta de pessoal continuar a ser dominante, qualquer dia arriscamos ter de pagar um guarda por cada recluso. No turno da anedótica e perigosa fuga estavam ao serviço 33 guardas.

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Se a prisão tivesse boa gestão, a cerca elétrica estaria operacional, alguém garantia que os guardas cumpriam a sua função e quem estaria a olhar para as câmaras de videovigilância, não estaria distraído. Mas afinal de contas, a prisão nem tem diretor há meses, o comissário está de baixa há um ano. E esta é uma falha política grave, porque o Governo não acautelou a capacidade de gestão do estabelecimento. O Estado precisa de boa gestão, seja nas cadeias, nos hospitais, nas escolas, ou em qualquer serviço. E o País precisa de maior exigência.

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