A manifestação de três mil agricultores em Espanha a pedir a violação clara da Convenção de Albufeira, que gere as relações ibéricas em matéria de recursos hídricos, é um sinal muito preocupante. A Convenção de Cooperação para a Proteção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso–Espanholas, conhecida como Convenção de Albufeira, está em vigor desde 2000.
É a lei que enquadra a forma como os dois países gerem cinco caudais comuns, que são o Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. No essencial, Portugal depende muito da forma como Espanha gere a água. O poder espanhol é decisivo sobre 50 por cento dos recursos hídricos de superfície portugueses, que têm origem do lado de lá.
Uma sublevação do campo espanhol, que quer a água para a irrigação e não para a produção de eletricidade, é uma das piores coisas que poderia acontecer, sobretudo se Madrid ceder à pretensão de acabar com o envio da água a que está obrigado pela Convenção. Nesta matéria, não pode haver hesitações. O Governo tem de atuar rapidamente e exigir o respeito por uma convenção que, não sendo perfeita, é o acordo em vigor.
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